Pet feliz é um pet amado e saudável. Afeto e proteção caminham juntas e as vacinas são gestos de cuidado que desempenham um papel fundamental na prevenção de doenças graves em cães e gatos. Elas são a base da medicina preventiva, formando um escudo protetor que mantém nossos companheiros de quatro patas seguros e saudáveis.
Mas é preciso ficar atento, pois, em 2024, a Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) atualizou suas diretrizes internacionais de vacinação, trazendo mudanças significativas que impactam a forma como protegemos nossos pets.
Siga a leitura e descubra quais são essas novas recomendações e o que elas significam na prática para tutores e profissionais da saúde animal.
Por que manter a carteirinha em dia faz toda a diferença?
As vacinas funcionam de forma inteligente: elas estimulam o sistema imunológico do animal a produzir anticorpos contra agentes infecciosos específicos. É como um “treinamento” para o corpo, preparando-o para combater uma invasão real.
Esse funcionamento das vacinas previne doenças graves como cinomose, parvovirose, hepatite infecciosa e raiva em cães, e panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose em gatos.
Manter as doses e reforços em dia, seguindo o calendário de vacinação, é crucial, porque a imunidade não é permanente e precisa ser periodicamente “lembrada” e reforçada ao organismo para garantir a proteção contínua dos pets.
No entanto, ainda que seja tão fundamental, há desafios na vacinação de cães e gatos.
De acordo com o documento, “Diretrizes de 2024 para a vacinação de cães e gatos – compiladas pelo Grupo de Diretrizes de Vacinação (VGG) da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA)” a hesitação vacinal e a baixa taxa de vacinação em pets são preocupações crescentes, que afetam a saúde pública e a imunidade de rebanho.
Apenas 72% dos tutores relataram que seus filhotes de cães receberam vacinação primária em 2019, uma queda em relação a 88% em 2016.
A vacinação contra a leptospirose foi administrada a apenas 49% dos cães no Reino Unido em um estudo recente.
A falta de opções de vacinas monovalentes e a carga excessiva de vacinas são questões que precisam ser abordadas.
O que mudou nas novas recomendações da WSAVA (2024)?
O objetivo das diretrizes de vacinação da WSAVA é fornecer orientações amplas, atualizadas e cientificamente fundamentadas para associações veterinárias, clínicas veterinárias e médicos-veterinários sobre a vacinação de cães e gatos.
As atualizações da WSAVA, realizadas em 2024, são um marco na medicina veterinária, refletindo novas pesquisas e um entendimento mais profundo da imunidade animal.
Dessa forma, as novas diretrizes para vacinação de cães e gatos, conforme o documento, incluem as seguintes atualizações:
Vacinas em cães:
Vacinas essenciais
Proteção contra vírus da cinomose canina (CDV), adenovírus canino tipo 1 (CAV) e parvovírus canino tipo 2 (CPV).
Vacinação contra raiva em áreas endêmicas e leptospirose em regiões onde a doença é prevalente.
Protocolo de vacinação
Início entre 6 e 8 semanas de idade,com doses a cada 2 a 4 semanas, até completarem 16 semanas ou mais.
Revacinação aos 6 meses de idade, em vez de esperar até 12-16 meses, para reduzir a janela de suscetibilidade.
Revacinação trienal ou menos frequente em adultos.
Vacinas não essenciais
Incluem proteção contra Bordetella bronchiseptica, vírus da parainfluenza canina (CPiV), leptospirose e outros, dependendo do estilo de vida e risco de exposição.
Vacinas não recomendadas
Vacinas contra coronavírus canino (CCoV) e Giardia spp., devido à falta de evidências científicas suficientes.
Vacinas em gatos:
Vacinas essenciais
Proteção contra vírus da panleucopenia felina (FPV), herpesvírus felino-1 (FHV) e calicivírus felino (FCV).
Vacinação contra raiva em áreas endêmicas e contra FeLV em regiões onde a doença é prevalente.
Protocolo de vacinação
Início entre 6 e 8 semanas de idade, com doses a cada 2 a 4 semanas até 16 semanas ou mais.
Revacinação aos 6 meses de idade ou mais, em vez de esperar até 12-16 meses.
Revacinação trienal para gatos de baixo risco e anual para gatos de alto risco (ex. : frequentam gatis).
Vacinas não essenciais
Incluem proteção contra Chlamydia felis, Bordetella bronchiseptica e vírus da imunodeficiência felina (FIV), dependendo do risco de exposição.
Vacinas não recomendadas
Vacinas contra peritonite infecciosa felina (PIF), Giardia spp. e Microsporum canis, devido à falta de evidências científicas suficientes.
Outras atualizações
Anticorpos maternos: A diretriz reforça a importância da administração das múltiplas doses para os filhotes devido à interferência dos anticorpos maternos na eficiência da vacina. Em outras palavras, as doses repetidas em filhotes não são doses de reforço, e sim aplicadas com o objetivo de desencadear uma resposta imunológica ativa o mais rapidamente possível depois de os anticorpos maternos terem diminuído suficientemente.
Testes sorológicos: Recomendados para confirmar a proteção imunológica e otimizar intervalos de revacinação.
Vacinação em abrigos: Protocolos específicos para ambientes de alto risco, com vacinação imediata na admissão e revacinação frequente.
Eventos adversos: Incentivo à notificação de reações adversas para melhorar a segurança e eficácia das vacinas.
As novas diretrizes reforçam a importância de adaptar os protocolos às condições locais e ao estilo de vida dos animais, colocando a vacinação como parte de cuidados preventivos e abrangentes dos pets.
Calendário vacinal atualizado: o que aplicar e quando?

Diante das atualizações da WSAVA, podem surgir dúvidas como: quando aplicar essas mudanças e quando?
Embora as mudanças indiquem um caminho mais individualizado de aplicação, algumas linhas gerais se mantêm para as vacinações consideradas core – vacinas recomendadas para todos os cães e gatos, independentemente de seu estilo de vida ou localização, pois protegem contra doenças altamente contagiosas e potencialmente fatais.
Veja só:
Cães e as vacinações core:
- Primeira dose: Entre 6 e 8 semanas de vida.
- Reforços: A cada 3-4 semanas, até que o filhote complete 16 semanas de idade. Esse período é crucial para superar a interferência dos anticorpos maternos.
- Primeiro reforço adulto: 12 meses após a última dose do esquema de filhote.
- Reforços subsequentes: A cada 3 anos ou conforme a avaliação de risco do veterinário, que considerará fatores como ambiente, estilo de vida e presença de surtos na região.
Gatos e as vacinações core (Panleucopenia, Rinotraqueíte, Calicivirose):
- O esquema é semelhante ao de cães: primeiras doses entre 6 e 8 semanas, com reforços a cada 3-4 semanas até 16 semanas de idade.
- O primeiro reforço adulto e os subsequentes também seguem a mesma lógica, com intervalos que podem ser estendidos a cada 3 anos ou de acordo com a individualização do risco.
Mesmo com essas orientações, não descarte a consulta ao seu (sua) Médico (a) Veterinário (a) para uma tabela visual simplificada e um plano personalizado para seu pet.
A imunidade do pet influência no sucesso – ou não – da vacinação
A vacina não resolve tudo e o sistema imunológico de nossos pets tem um papel fundamental no sucesso – ou não – da vacinação. A resposta vacinal depende de uma ação interligada: as vacinas introduzem fragmentos inofensivos de patógenos (vírus ou bactérias), e o corpo reage produzindo anticorpos específicos. Esse é o conceito de imunidade induzida.
No entanto, a capacidade de gerar essa resposta depende de uma “imunidade de base” robusta, ou seja, da ação de um sistema imunológico saudável e equilibrado.
É por isso que cães e gatos em tratamento, com imunidade comprometida (devido a doenças crônicas ou uso de medicamentos), ou em fases de transição (como filhotes e idosos) podem se beneficiar de um suporte nutricional complementar.
Neste sentido, produtos como o Defensyn, de König, por exemplo, podem auxiliar otimizando a resposta às vacinas. Mas, lembre-se: qualquer suplementação deve ser feita sempre com a orientação do(a) Médico(a) Veterinário(a).
Por que seguir as orientações do (a) seu (sua) Veterinário (a) é essencial?
Importante destacar que as diretrizes da WSAVA são orientações importantes para a saúde e proteção dos pets, mas conversar com o (a) Médico (a) Veterinário (a) é fundamental para planejar um calendário vacinal adequado a cada cão e gato.
O profissional é a pessoa capacitada para considerar uma série de fatores, como a raça do animal, seu ambiente (urbano, rural, com acesso à rua, etc.), seu histórico de saúde, e seu estilo de vida (se frequenta creches, parques, convive com outros animais).
Por exemplo, um animal que vive em um apartamento e não tem contato com outros animais pode ter um esquema vacinal diferente de um que vive em uma fazenda.
Dessa forma, o calendário é um mapa, mas o (a) Veterinário (a) é o (a) guia que traça a rota mais segura e eficaz para cada pet, certo?
Prevenir é gesto de cuidado
Por fim, a atualização das recomendações da WSAVA reforça a importância de vacinar nossos companheiros peludos com consciência e base científica.
Trata-se de um alerta e um convite para tutores e veterinários trabalharem juntos, garantindo que cada cão e gato receba a proteção necessária, sem excessos.
Hora de agir: revise a carteirinha do seu pet e agende uma visita com o(a) Veterinário(a)! Vacinar com responsabilidade é um ato de amor e cuidado.
Ah, e lembre-se também de contar com mais dicas de saúde animal e soluções em suplementação nutricional de König!


