Esporotricose em gatos: o que você precisa saber para proteger seu pet (e sua família)

A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix spp. Considerada uma zoonose – doença infecciosa que pode ser transmitida de animais para humanos -, a esporotricose vem recebendo maior atenção atualmente devido ao aumento dos casos recentes no Brasil, e os nossos companheiros felinos desempenham um papel  importante no papel na ocorrência da doença. 

Em 2025, a forma humana da esporotricose foi categorizada como doença de notificação compulsória em todo o país, pelo Ministério da Saúde, evidenciando a sua crescente gravidade e a necessidade de monitoramento e controle mais rigorosos.

Então, é mais do que hora de saber como proteger seu pet e toda a família da esporotricose!

Onde a esporotricose está mais presente no Brasil?

 

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2023, foram atendidos 1.239 indivíduos diagnosticados com a infecção causada por fungos do gênero Sporothrix e mais 945 casos até junho de 2024. 

 

“Esse tipo de micose pode provocar lesões graves na pele e em outros órgãos de humanos e animais, em especial nos gatos. Para eliminarmos essa doença, é essencial que as equipes de saúde estejam qualificadas para identificar os sinais de esporotricose, tratar os casos de maneira adequada e adotar medidas de prevenção e controle da doença”, destacou a coordenadora-geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM/Dathi), Fernanda Dockhorn.

 

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, no Paraná – estado onde a esporotricose está na lista de notificação compulsória desde 2020 – o número de casos em humanos saltou de 253 em 2022, para 853 em 2023. Já os casos em gatos subiram de 1.412 em 2022, para 3.290 em 2023.

 

Por que os gatos são um dos principais transmissores da esporotricose?

 

Os gatos, em especial aqueles com maior acesso às ruas, estão entre os principais transmissores da esporotricose para humanos, por conta de seus hábitos, como enterrar as fezes e participar de brigas territoriais. Esses comportamentos aumentam o risco de exposição desses animais ao fungo causador da doença presente no solo.

 

Há ainda as características biológicas dos felinos, que fazem com que suas lesões tenham maior carga de leveduras do fungo em comparação a humanos e cães. Esse fato não apenas eleva o potencial de transmissão, como também aumenta a gravidade das lesões. Além disso, o comportamento felino, que envolve o intenso uso de suas garras (tanto em brigas quanto no solo), também é um fator importante que favorece a prevalência das infecções desse fungo na espécie. Isso se dá porque esses fungos não penetram em peles íntegras (ou seja, sem lesões), eles precisam encontrar uma “porta de entrada” – como é o caso de uma arranhadura adquirida em uma briga de rua.

 

Na pesquisa, “Esporotricose em felinos domésticos (Felis catus domesticus) em Campos dos Goytacazes, RJ”, foram utilizados 100 felinos domésticos, portadores de lesões cutâneas suspeitas de esporotricose, que passaram por avaliação clínica minuciosa e preenchimento de fichas individuais. 

 

Do total de animais analisados, 66 (66%) foram positivos para Sporothrix spp., sendo 46 (69,6%) machos não castrados, 15 (22,7%) fêmeas não castradas, 4 (6,06%) fêmeas castradas e 1 (1,5%) macho castrado, os quais 89,3% tinham acesso à rua. 

 

Dessa forma, é possível ver que o crescimento da doença é particularmente preocupante em áreas urbanas, onde a concentração de gatos não castrados ou em situação de rua favorece a sua proliferação e transmissão. 

 

A falta de castração contribui para o aumento populacional desordenado e para a manutenção do comportamento de risco dos felinos, que envolve, por exemplo,  brigas territoriais que facilitam a propagação das infecções pelo fungo de um felino para o outro.

Sintomas da Esporotricose em Gatos e Humanos: Como Reconhecer?

  • Nos gatos: Os primeiros sinais da esporotricose em gatos podem incluir feridas persistentes, que não cicatrizam, e nódulos subcutâneos, que podem ulcerar e apresentar secreção. Em casos mais avançados, os animais podem manifestar emagrecimento progressivo e um quadro respiratório leve, indicando a disseminação do fungo para outros órgãos.

 

  • Nos humanos: A esporotricose em humanos, geralmente, se manifesta com lesões na pele, mais comumente nas mãos, braços e rosto, áreas expostas ao contato com animais ou o ambiente contaminado. 

Essas lesões podem iniciar como pequenos nódulos que evoluem para úlceras. É comum também o surgimento de nódulos em linha, seguindo o trajeto dos vasos linfáticos (linfangite esporotricótica). 

Em situações mais graves, a doença pode atingir articulações, ossos e pulmões, tornando-se uma condição sistêmica e mais difícil de tratar.

Suspeita de Esporotricose: Primeiros Cuidados e Orientações

A atenção aos nossos pets é a melhor forma de cuidado. Por isso, ao notar qualquer sinal de esporotricose no seu gato, é crucial agir com responsabilidade e rapidez. Para isso, lembre-se:

 

  • Use luvas: Sempre utilize luvas ao manusear o animal para evitar o contato direto com as lesões e a possível transmissão.
  • Procure um (a) Médico (a) Veterinário (a): Leve o gato imediatamente a um profissional. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.
  • Não abandone o animal: A esporotricose tem tratamento e o abandono agrava a situação de saúde pública, contribuindo para a disseminação da doença.
  • Busque atendimento médico: Em caso de lesões em humanos, procure um posto de saúde ou serviço médico com urgência para avaliação e tratamento adequados. Lembre-se que a doença humana é de notificação obrigatória desde 2025.

 

Como prevenir a esporotricose no dia a dia e proteger animais e pessoas?

Embora tenha cura, a esporotricose é considerada uma doença grave, que pode causar sérios problemas aos animais e aos seres humanos, por isso, a prevenção é essencial.

Assim,

  • Mantenha os gatos em casa: Gatos domiciliados têm menor contato com o ambiente externo e com outros animais doentes, reduzindo o risco de contaminação.
  • Evite contato com gatos de rua: Evitar o contato direto com felinos em situação de rua diminui a chance de exposição ao fungo.
  • Castração e acompanhamento veterinário: A castração reduz a territorialidade e os comportamentos de brigas entre os gatos, diminuindo o risco de disseminação da doença. O acompanhamento veterinário regular permite a identificação precoce de qualquer alteração na saúde do animal.

 

Como ajudar no suporte imunológico e na recuperação de gatos com esporotricose?

Durante o tratamento da esporotricose, o sistema imunológico do gato desempenha um papel crucial na resposta do organismo contra o fungo e na recuperação das lesões. Em muitos casos, especialmente em animais imunossuprimidos ou debilitados, o (a) Médico (a) Veterinário (a) pode indicar uma suplementação nutricional, para reforçar as defesas do organismo.

 

Neste caso, os profissionais têm como aliado produtos como Defensyn, da König, que são suplementos nutricionais formulados para auxiliar no suporte imunológico de cães e gatos. Eles contêm nutrientes essenciais como:

 

  • Beta-glucanas: Compostos que ativam a resposta imune inata, interagindo com receptores específicos como a Dectina-1, fortalecendo a capacidade do organismo de combater infecções.
  • Glutamina, vitaminas e minerais antioxidantes: A glutamina é um aminoácido importante para a função imune e a integridade da barreira intestinal. Vitaminas e minerais como selênio e zinco possuem potente ação antioxidante, protegendo as células do estresse oxidativo e otimizando a resposta imune.
  • Plasma sanguíneo e imunoglobulinas: Componentes que fornecem suporte direto às defesas do organismo, contribuindo para a regeneração tecidual e a neutralização de agentes patogênicos.

 

É fundamental ressaltar que a suplementação deve ser sempre indicada e acompanhada por um profissional da saúde animal, que fará uma avaliação individualizada do pet para determinar a necessidade e a dosagem correta.

 

Informação e responsabilidade salvam vidas

 

Por fim, vale ressaltar que a esporotricose é uma doença grave, mas tratável, e que exige cuidado, responsabilidade e um compromisso com a saúde pública. O diagnóstico precoce, o isolamento seguro do animal doente e o suporte imunológico adequado são pilares para o sucesso do tratamento e para evitar a disseminação. 

 

Então, já sabe, se notar feridas estranhas no seu gato, procure orientação veterinária imediatamente e compartilhe este conteúdo com outros tutores. 

 

Prevenir e tratar com responsabilidade é um verdadeiro ato de amor e cuidado com as vidas.

 

E você pode contar com as soluções em saúde animal de König para oferecer tudo que seu pet precisa! 

 

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